Crônica - Pra me resgatar
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Oficina Leitura e Produção de Texto
A procrastinação foi tanta no ano de 2024 que esqueci de registrar em crônica que em julho tive um gratificante convite: Marina Beatrice, minha grande amiga da UFPA, me chamou para participar de uma aula da oficina de Leitura e Produção de Texto na Casa da Linguagem, na qual ela lecionava. Recebi esse convite para conversar com a turma sobre a minha ínfima e, ao mesmo tempo, importante experiência como escritor e poeta, além da formação em jornalismo e em letras língua portuguesa.
Já
fui convidado outras vezes por amigos, professores e conhecidos para participar
de saraus e eventos literários em escolas, tudo devido ao livro Inseparáveis e
aos poemas e contos publicados na internet. Na aula da Marina, era um combo:
fiquei no centro da sala, com os alunos me cercando de perguntas sobre a
criação dos poemas, a divulgação do livro, as formações... Eram estudantes
adultos, de faixas etárias diferentes; então, as perguntas eram bem
interessantes. Lá no fundo, eu tava me achando, devo admitir, de tão à vontade
e feliz que fiquei. Vou passar anos sem saber descrever a sensação de ser
valorizado pela minha... arte, e nem considero a minha experiência como uma carreira,
de fato.
Dessa
vez, em 2026, Rafaela Gonçalves, outra grande amiga da UFPA, também me fez um
lindo convite: participar de uma aula do 6° ano, na qual ela leciona
Recomposição da Aprendizagem – Língua Portuguesa, no Colégio Sabaúdia, cujo
assunto seria poesia, ou seja, eu falaria dos meus poemas. Os alunos já sabiam
do meu livro, que eu era professor, escritor... A diferença era que não seria
presencial, uma vez que ela estava morando agora numa cidade do Paraná,
Sabaúdia. Ela escolheu o poema “Tiozinho”, criado em homenagem ao Max, e
“Contrários”, referente à cultura paraense.

Recomposição da Aprendizagem - em Sabaúdia
Deu um trabalhão, mas gravei e editei na maior empolgação, nessa semana, vídeos declamando e falando sobre os poemas, além de ter feito uma pequena edição de uns vídeos do Max e fui até a Estação das Docas para mostrar aos aluninhos de Rafa e Fernanda, que leciona junto com ela; ainda tomei um sorvete de cupuaçu na gravação – se eu tivesse mais tempo, teria tomado um tacacá, como na música da Joelma, que os estudantes tanto gostam – inclusive, inseri essa e outras canções paraenses na edição.
Rafa
me mandou vídeos e fotos: os alunos das duas turmas do 6° ano amaram a aula
virtual; uma delas foi na terça (23/02) e outra, na sexta-feira (27/02). De uma
pra outra, deu tempo de a minha amiga preparar um doce de cupu para as
crianças. A professora Fernanda e a diretora também se curtiram bastante. Deu
tudo mais que certo. Por isso, foi a primeira vez no ano que me senti útil,
produtivo, valorizado, vivo de novo.
Há
um ano e meio como revisor de texto no Equipe e eu sinto como se a poesia
tivesse se apagado de mim; foram poucos poemas escritos; contos, menos ainda;
há quase um ano fora da sala de aula (Esamaztec quase falida), o vazio é ainda
maior. Assim, voltei, desde ontem, a criar mais poemas e lembrei da meta de
publicar um livro desse gênero literário, objetivo que eu havia deixado de
lado. Esses estudantes me fizeram resgatar esse desejo. Uma cobrança para mim
mesmo: dar um jeito de publicar um livro de poemas (já há um arquivo pronto!)
e, por fim, me reaproximar da escrita novamente, pelo meu próprio bem.
Trabalhando do que jeito que eu trabalho, sem dormir direito, com (pouco) dinheiro entrando e saindo, tenho visto a energia, a felicidade e empolgação de viver indo embora, bem como a vontade de escrever. Essas duas experiências, sobretudo essa última, vieram pra me lembrar que o Victor Victório continua vivo, apesar de adormecido e ele precisa acordar, pra lembrar do porquê era tão animado e, mais ainda, dos sonhos que tinha, e ainda tem.


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