Crônica: qual o meu sonho? (2)
Uma das minhas últimas postagens foi sobre meus sonhos. De junho até agora, já realizei três, ou quase isso.
Quatro
anos depois, eu já em Belém, conheci-o pessoalmente, numa excursão pelo
Nordeste; porém, somente dez anos depois pude, de fato, conviver com Betinho e
sua família, passando dez dias de janeiro em João Pessoa. Foi a melhor viagem
de todas. Por isso, meu “sonho” era que ele viesse a Belém para que eu o
proporcionasse uma viagem tão boa quanto a que eu tive em Jampa.
Trabalhando
em Brasília, Betinho foi convocado a representar o Ministério em Breves – que
ironia! - e em Acará. Ficou em Belém por cinco dias apenas, mas pôde experimentar tacacá,
vatapá, charque/peixe frito com açaí, sorvete de cupuaçu da Cairu e da Ice
Boce, um rolê no Mangal das Garças, no Ver-o-peso, na Estação das Docas, no
Mercado de São Brás, no Espaço Cultural Apoena e no Manga Jambu, sem contar que conheceu muito
do nosso brega paraense e um dos meus melhores amigos daqui, o Léo. Além disso,
mamãe e Ivna o fizeram se sentir ainda mais em casa – nem foi difícil, pois as
duas amaram a companhia dele.
Assim
percebi o quão é ruim ter um melhor amigo e não conviver com ele, embora seja
natural nesse caso, pois a nossa amizade começou assim, à distância. Essas
viagens fizeram com que nos tornássemos, realmente, família um do outro, solidificando
a amizade, de melhor amigo e de irmão; no entanto, ficou claro que além de
bonita, diferente, essa amizade tem um lado um pouco triste pra mim: não ter a
convivência. E eu sinto falta dela diariamente. “Betinho é o teu amigo que mais tem a
nossa vibe, a tua vibe; é o teu amigo que mais se parece contigo”, observou
Ivna. Eu tento não pensar muito nisso. É melhor.
“O meu
sonho é conhecer a calçada do Clube da Esquina. Eu sei que parece ser só uma
calçada, mas é meu sonho. Deixa eu contar o que é o Clube da Esquina...”, e
mamãe começa narrar de modo quase resumido, a qualquer pessoa que dê
oportunidade, a trajetória de um grupo de jovens músicos de Minas Gerais,
liderado por Milton Nascimento. Tais artistas são responsáveis por grandes
sucessos da nossa MPB, como “Nada será como antes”, “Um girassol da cor do seu
cabelo”, “O trem azul”, “Clube da Esquina n° 2”, “Paisagem na janela” (a minha
favorita”), entre outras.
Em
Belo Horizonte, o medo era de mamãe passar mal, de tão feliz e ansiosa que
estava. Zeneide parecia uma criança: estava animada, sorridente, ao chegar na
famosa calçada do Clube da Esquina. Ela é toda branca, com caricaturas de todos
os músicos que participaram do movimento, com uma placa no poste e até no chão
havia homenagem. Mamãe ria, tapava o rosto, chorava, ria de novo, agradecia...
Visitamos o Museu do Clube da Esquina, que ficava dentro do bar; reencontrei
Yasmin Uchôa, minha amiga da época da Unama... Brindamos, cantamos,
conversamos, fizemos fotos, mas a melhor parte foi a ver a mamãe feliz e
realizada.
Pra
terminar, o que ainda tá na metade: voltei para a sala de aula. Estou atuando
como professor no Sesc Doca, aos sábados, no turno da manhã e da tarde, no
curso Produção Textual: Escrita Criativa e Redação Estilo ENEM. Isabel Mota, de
quem eu já revisava textos, me deu essa oportunidade como um convite, para
lecionar no Sesc. De um modo geral, facilitou toda a minha entrada, apesar das
minhas dificuldades de horário - o curso vai até o fim de outubro, antes da prova do ENEM.
Assim
que voltei da excursão, sem de fato acreditar que daria certo, me tonei
professor novamente. Iniciei a segunda quinzena de julho com uma turma composta
por jovens entre 16 e 20 anos, com algumas mulheres mais velhas; ao começar
agosto, veio a turma da tarde, com um pouco mais de alunos, na mesma faixa
etária. Uma vez que o foco principal era o ENEM, a maioria dos discentes estava
afiada, com muita participação em sala e perguntas pertinentes. Um exemplo
disso foi um estudante ter feito uma pergunta muito específica sobre verbo. Foi
uma semana estudando para proporcionar uma aula decente, porque, oh
assuntozinho complicado...





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