Entrevista com Walcyr Monteiro, autor de "Visagens e Assombrações de Belém"
“Nem
me pergunta quantos livros eu já publiquei, porque eu não faço a mínima
ideia”, adiantou-me o jornalista e escritor Walcyr Monteiro, o autor de
“Visagens[1] e
assombrações de Belém” para o blog e, agora, vlog Outras Palavras. Entre este e
outros tantos livros, ele também lançou a coleção “Visagens e Assombrações e
Encantamentos da Amazônia”, dividida em 10 volumes; “Histórias Brasileiras e
Portuguesas para Crianças”; os livros de poemas “Miscelânea ou Vida em
Turbilhão” e “Cosmopoemas”; “As incríveis histórias do caboclo do Pará”, além de
inúmeros contos e poemas divulgados em jornais e revistas. Sendo que algumas das suas obras já foram traduzidas para o inglês, espanhol, italiano, francês e japonês e "Visagens e Assombrações de Belém" já serviu de base para longa e curta-metragens. O autor já viajou por diversos
cantos da região amazônica e países afora, e diz que ainda tem vontade de
conhecer o planeta todo. “Acho que a humanidade só será feliz no diz em que não
tivermos mais fronteiras, sobretudo, nenhum tipo de preconceito”, disse o
escritor.
“A
Mantinta Perera da Pedreira”, “A porca do reduto”, “O ‘Pai-de-Santo’ do
Jurunas” e “A moça do táxi” são algumas das lendas que percorrem não só a cidade
de Belém do Pará, mas a região amazônica, as quais estão no “Visagens e
Assombrações de Belém”. Walcyr Monteiro disse que o advento da televisão fez
com que ele tivesse a ideia de escrever tais contos de assombrações. “Quando eu
era criança, as pessoas colocavam as cadeiras defronte das casas e contavam as
histórias de visagens, ali aos arredores da Amazônia. Mas a televisão chegou e
os personagens das novelas foram roubando o espaço que era dos personagens da
nossa região. Eu temia que o nosso traço cultural desaparecesse e as nossas
histórias fossem esquecidas”, explicou o autor.
Em
1972, ele passou publicar, aos domingos, no periódico Província do Pará[2],
histórias de assombrações que ouvia quando era menor ou através das cartas que
recebia, na época. “Eu não inventei nada. Ou as histórias foram ouvidas na
minha infância ou foram objetos de pesquisa. Ou seja, cada uma foi contada por
alguém em algum momento. E depois eu recebi centenas de cartas, ora com novas
histórias, parabenizando ou pedindo um livro”, contou Walcyr, que, em 1986,
lançou o “Visagens e Assombrações de Belém”, completando 42 anos, em 2014, as publicações das lendas no jornal.
Os
escritores amazônicos, de acordo com Walcyr Monteiro, têm muita dificuldade em
publicar um livro em decorrência do custo alto da impressão ou por quase não se
conseguir patrocínio. “É meio problemático para qualquer autor daqui,
não somente no gênero que escrevo, até porque faço sobre outras coisas também”,
disse. Ele falou, também, que jamais sonhou em se tornar escritor. “A partir do
momento que tive a receptividade positiva com o "Visagens e Assombrações de Belém",
digamos que, fui me empolgando. No início, eu queria registrar essas
histórias para que não desaparecessem. Era uma atitude política, de resistência
cultural, para que não perdêssemos a nossa identidade para a televisão”,
esclareceu Walcyr, afirmando que foi o público que o tornou escritor.
Na
opinião de Walcyr Monteiro, para que os jovens paraenses passem a ler mais, o
ideal é que os professores indiquem livros da nossa região. “Uma coisa é você,
como leitor, ter uma familiaridade com uma paisagem ou o fundo de uma história quando você encontra
uma identidade; outra coisa é ler algo fora do nosso ambiente, em que há situações
ou descrições que você não consegue imaginar”, opinou o autor. Para ele, os
autores amazônicos deveriam ser adotados nas escolas e universidades, não como algo
obrigatório, mas de modo que desperte nos alunos o interesse nos livros. Ele citou
uma professora (da ilha) de Mosqueiro por ter criado um grupo de alunos que são
contadores de histórias e que tal atitude deveria ser reproduzida com mais frequência:
“Ela pede que o jovem pesquise histórias e, a partir daí, ele começa a se interessar. Isto,
muitas vezes, está produzindo novos escritores e acho que é esse o caminho para
provocar o hábito da leitura”.
Walcyr
Monteiro, para encerrar, declarou seu amor por Belém, mas acha que o nosso
patrimônio histórico deveria ser mais valorizado pelos próprios paraenses. “A
nossa arquitetura é muito ‘pai d´égua’[3],
não existe outra igual no Brasil. E Belém tem, através da sua arquitetura, um
marco da sua história. Mas muitos daqui não atentam a isso, diferentemente daqueles que vêm de fora, que a valorizam bem mais”, disse o autor. Além de ser belenense, Walcyr gosta das
demais cidades da Amazônia e diz que se sente em casa em qualquer lugar da nossa
região. “Pra mim, é uma região encantada e encantadora e eu me sinto num mundo
encantado por fazer parte dessa sociedade amazônica”, enalteceu.
Na verdade, a entrevista continua. É só clicar aqui e você poderá assistir outros trechos no meu canal no youtube, o "Outras Palavras de Victor Victório", no qual tentarei apresentar a vocês mais vídeos sobre a nossa cultura paraense. Ou seja, vídeo e texto. É isso. Saúde pra todos. Divirtam-se :)
Na verdade, a entrevista continua. É só clicar aqui e você poderá assistir outros trechos no meu canal no youtube, o "Outras Palavras de Victor Victório", no qual tentarei apresentar a vocês mais vídeos sobre a nossa cultura paraense. Ou seja, vídeo e texto. É isso. Saúde pra todos. Divirtam-se :)
Comentários
Que shoow, cara! Que seja uma evolução que traga muito sucesso e boa sorte.
E fazer essa evolução trazendo uma reportagem sobre Walcyr Monteiro e as incríveis estórias amazônicas foi uma grande ideia.
Sou fã do Walcyr faz muitos anos, desde minha infância. E coleciono suas revistas e livros das visagens de Belém, de modo que conhecer um pouco mais sobre ele através da reportagem de um grande amigo meu, foi ótimo.
A matéria ficou excelente, reflexo da entrevista que também deve ter sido boa e do seu amadurecimento como escritor e jornalista.
Agora fiquei mais ansioso para as próximas postagens do vlog!
Tudo de bom pra vc, Victão!
Abração!!!