Crônica: qual o meu sonho?
O ator
Daniel Rangel, o Manoel Aragão de “A Nobreza do Amor (2026), costuma fazer uma
espécie de quadro/série no Instagram, chamado “Sonho meu?”. Ele entrevista anônimos
e famosos, na rua, na casa da pessoa, nos estúdios na Rede Globo com uma única
pergunta: “Qual seu sonho?”; e aparenta ser bem espontâneo, natural. Quase toda
vez que vejo, me faço um rápido questionamento: “Se ele me perguntasse, o que
eu responderia?”. Um dos entrevistados de Daniel respondeu: “Cara, sabe que eu nunca pensei
nisso?!”[1].
Essa série fez com que eu me cobrasse mais uma vez sobre realizar meus sonhos/
metas... se é que eu tenho algum sonho.
Há um
ou dois anos, na terapia, criei uma lista de desejos e percebi que não tinha um
sonho, de fato. Eu tinha uma vontade de cursar uma especialização na área de
produção e de revisão textual, o que me serviria bastante como professor de
Língua Portuguesa e jornalista, além da função atual e exaustiva de revisor de
texto. Peguei emprestado da minha mãe o sonho de conhecer a calçada do Clube da
Esquina[2]
(e vamos realizar em julho, nas minhas férias); além disso, realizei uma das
minhas metas como professor/escritor: inspirar meus alunos no incentivo à leitura
e ser um diferencial em sala de aula – pelos feedback que tive nos três anos de Esamaztec, creio que tenha dado certo.
Poder contribuir com as contas de casa também era um dos meus sonhos e minhas metas de vida; poder ver minha mãe feliz e tranquila, numa época em que estávamos bem apertados de grana – embora eu ainda não tenha um grande salário, ajudo com o que posso. Desde que meu sobrinho/afilhado Max Luís nasceu, eu disse aos pais dele que iria ajudar no que pudesse quanto à educação dele, sobretudo na leitura – essa é uma das minhas metas para toda vida; com o Max, aprendi que ser tio é uma das minhas maiores qualidades, ou seja, participo, sim, de alguma forma, da educação do meu tiozinho.
Sobrinho,
mãe, alunos... Não lembro se comentei com a minha psicóloga o que percebi: meus
sonhos e objetivos de vida estão mais relacionados ao outro do que a mim mesmo,
e nenhum deles diz respeito a uma conquista material (carro e apartamento próprio
já temos graças à luta frequente e árdua de Zeneide, minha mãe). Há uma exceção, na
verdade: lançar um livro. Em 2016, lancei “Inseparáveis”, uma novela de
suspense - digo, hoje em dia, que tal publicação foi apenas para matar uma vontade...
Com duas
graduações, diferentemente de meus colegas, nunca tive intenção alguma de cursar
um mestrado/doutorado, assim como raras foram as vezes que me passou pela
cabeça em me tornar pai – ser tio e padrinho de três já tá bom, mesmo sabendo
que sou presente na vida apenas de um deles, do Max e tento ser presente com a irmã dele, Malu.
Contudo, há um desejo íntimo que vejo como um sonho, no sentido de
ser (quase) impossível de se realizar: entrevistar meus maiores ídolos da
música (um deles já o fiz: Leoni), começando pelo Frejat; depois, Ivete Sangalo...
De uns tempos pra cá, tenho pensado como seria incrível ter um canal para
entrevistar professores, com o objetivo de abordar a educação como um todo.
Se ter
um “sonho” se refere a algo quase impossível (assim penso que seja), tenho
dois: de ter um programa para entrevistar meus ídolos da música e/ou professores,
iniciando pelos meus professores que mais me incentivaram à leitura, desde a infância. No entanto,
o sonho que acho mais provável de se realizar é lançar um outro livro – de poemas,
dessa vez; só falta a publicação, pois o material está pronto. Esse, sim, eu preciso concretizar pra me sentir mais completo.
Sobre metas, é poder incentivar meus (futuros) alunos (quando retornar à sala de aula), além de poder contribuir de alguma forma para ver meu pai e minha irmã felizes e saudáveis, mas principalmente a minha mãe, que cuida de mim e da minha irmã diariamente e na maior de dedicação e no maior amor do mundo; também continuar sendo um tio presente na vida do Max e na vida da Malu.
Antes eu achava
que não tinha muitas metas e muitos sonhos, ou que eles eram infundáveis/irrelevantes.
Talvez ainda sejam um pouco confusos, pois eu não saberia ser objetivo, caso o
ator Daniel Rangel me perguntasse. Ao menos, por causa dos vídeos do “Sonho meu?" que ele criou, pude perceber que, sim, eu tenho sonhos e metas a realizar. E já
tenho o que dizer à psicóloga ao retorno da minha terapia.
Obrigado,
Daniel Rangel.
[1] https://www.instagram.com/danielrangel/?hl=pt
[2]
Para saber mais sobre o movimento musical Clube da Esquina, acesse:
https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2022/05/a-historia-do-clube-da-esquina/-da-esquina/
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